O calor extremo já resultou em pelo menos 120 mil mortes associadas às altas temperaturas no Brasil nos últimos vinte anos, conforme estudo da Fiocruz e da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Desses óbitos, 97 mil foram registrados em pessoas idosas, representando 80% do total analisado. Especialistas alertam que Goiás deve enfrentar um período de temperaturas acima da média no segundo semestre.
O estudo nacional indica que quatro em cada cinco mortes ligadas às ondas de calor ocorreram entre pessoas com 65 anos ou mais. A médica especialista em saúde do idoso, Andressa Augusta, explicou que o envelhecimento diminui a capacidade do organismo de controlar a temperatura corporal, pois os idosos transpiram menos e sentem menos sede. Ela afirmou que muitos pacientes chegam com sintomas como confusão mental, pressão baixa ou desidratação, que são erroneamente atribuídos a doenças crônicas.
Segundo a especialista, o calor intenso pode desencadear infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e lesão renal aguda. Ela orienta familiares a monitorarem sinais como sonolência excessiva, boca seca, urina escura e fraqueza intensa. Em relação ao clima, a coordenadora do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) para Goiás e Tocantins, Elizabete Alves, disse que há risco de ondas de calor entre agosto e dezembro. Ela acrescentou que a intensidade do El Niño pode aumentar a frequência desses episódios.
O gerente do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), André Amorim, esclareceu que uma onda de calor é caracterizada por temperaturas cerca de 5°C acima da média histórica por vários dias. Embora Goiás tenha maior adaptação ao calor que países europeus, os especialistas reforçam que a combinação de calor, baixa umidade e mudanças climáticas exige atenção, especialmente para idosos e trabalhadores expostos ao sol.

