A Câmara dos Deputados indicou 1.341 emendas de comissão que totalizam R$ 1,3 bilhão sem identificação de autores, um cenário similar ao do orçamento secreto, aponta um relatório da Transparência Brasil. O repasse, que corresponde a 16% do total das emendas de comissão, possui atas de reunião indisponíveis ao público.
As emendas, que recebem a assinatura da liderança partidária, não detalham quem fez a indicação. Sete partidos realizaram indicações desse tipo, incluindo PP, União Brasil, Republicanos, PL, Avante, Podemos e Solidariedade. A maior parte dos recursos, totalizando R$ 818,1 milhões, foi direcionada pela Comissão de Saúde, dominada pelo PL.
O estudo da Transparência Brasil também identificou que a execução das emendas impede a rastreabilidade completa dos recursos, pois falta um identificador único para cada beneficiário final. Por essa falha, a entidade não conseguiu identificar os entes ou organizações sociais que receberam R$ 821 milhões em emendas de comissão empenhadas em 2025.
Em 2024, o ministro Flávio Dino determinou regras de transparência, exigindo a identificação nominal dos parlamentares responsáveis por cada repasse. Contudo, o relatório indica que as emendas de comissão continuam operando com uma “lógica semelhante” ao extinto orçamento secreto, mantendo um elevado grau de opacidade sobre os recursos.

