A Polícia Civil de Roraima indiciou um casal de líderes religiosos por crimes sexuais contra seis adolescentes. As investigações revelaram que os suspeitos usavam sua posição de autoridade para conquistar a confiança das vítimas e impedir denúncias.
O inquérito, conduzido pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), teve início em abril deste ano, após denúncia de uma adolescente de 14 anos. Cinco outras vítimas, com idades entre 12 e 17 anos, relataram situações semelhantes, totalizando seis adolescentes supostamente abusados pelo casal.
Os investigados utilizavam discursos religiosos para manter as vítimas sob influência. A polícia afirmou que os suspeitos ofereciam dinheiro e vantagens financeiras para que os abusos não fossem denunciados. A delegada responsável pelo caso, Kamilla Basto, disse que a estrutura da igreja dificultava a revelação dos fatos, pois documentos internos previam punições para quem demonstrasse “rebeldia” contra a liderança.
Além dos crimes sexuais, a Polícia Civil apurou uma suposta tentativa de ocultação de provas. Uma terceira mulher, de 20 anos, também foi indiciada por corrupção de menores e fraude processual, por ter participado da destruição do telefone celular do pastor. O relatório final da polícia sustenta que os crimes ocorreram em contexto de manipulação psicológica e coerção, sem consentimento livre das vítimas.

