O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) elevou temporariamente a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%. A decisão, que vale por 180 dias a partir de agosto, reforça a meta de descarbonização do país, mas analistas apontam que o impacto será limitado pela forte expansão da oferta.
Relatórios de Morgan Stanley e Bradesco BBI indicam que o aumento da mistura deve gerar demanda adicional de cerca de 800 a 900 milhões de litros de etanol anidro por ano, o que ajuda a estabilizar margens domésticas. O Morgan Stanley apontou a São Martinho como principal beneficiada, devido à maior exposição ao biocombustível.
Contudo, o Bradesco BBI alerta que a produção total de etanol na safra 2026/27 deve crescer cerca de 4,6 bilhões de litros em relação ao ciclo anterior. Esse aumento, impulsionado pelo etanol de milho, supera a demanda gerada pelo E32, exigindo que o mercado absorva cerca de 3,9 bilhões de litros adicionais.
Os bancos de análise consideram o E32 um passo positivo, mas insuficiente para mudar o ambiente de preços. O governo também estuda a possibilidade de adotar o E35, que elevaria a participação do etanol para 35% na gasolina, visando reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados.

