A filosofia contemporânea, ao apresentar a afirmação de que “a consciência não é transparente”, propõe que a interpretação humana deve ser um ato de desmascaramento. Essa visão, sistematizada por Paul Ricoeur, rompe com a confiança cartesiana e exige investigação crítica sobre os sentidos ocultos.
A hermenêutica da suspeita reúne projetos intelectuais de Karl Marx, Friedrich Nietzsche e Sigmund Freud. Segundo esses autores, todo discurso possui sentidos ocultos e a consciência nem sempre conhece suas motivações verdadeiras. Freud demonstrou que o inconsciente influencia decisões, enquanto Marx apontou que a consciência é condicionada pelas estruturas econômicas, gerando a ideologia.
Nietzsche submeteu a moral ocidental a uma crítica radical, alegando que valores universais podem mascarar ressentimentos ou vontade de poder. Paul Ricoeur uniu essas perspectivas, defendendo que interpretar exige desconfiar das evidências e investigar silêncios e contextos. Essa abordagem é crucial para o Direito, que não pode se limitar ao texto legal.
A reflexão sobre a incompletude da consciência é atual em uma sociedade de narrativas aceleradas. O autor afirma que o exercício crítico é um dever democrático, pois a consciência constrói máscaras convincentes para ocultar as razões profundas das escolhas. Reconhecer essa falta de transparência leva a uma busca por lucidez e responsabilidade intelectual.

