Defensores públicos debateram na semana passada a necessidade de regras mais rígidas para a publicidade de plataformas de apostas esportivas e jogos de azar online. Os profissionais lidam com casos de superendividamento e dificuldades de acesso à saúde entre a população de baixa renda, devido à onipresença dos anúncios.
A defensora pública Luciana Peles da Cunha, coordenadora do Núcleo de Defesa do Consumidor da Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro, afirmou que os anúncios de apostas estão presentes em televisão, campos de futebol, placas e celulares, sem restrição de horário ou público. Ela declarou que a publicidade massiva tenta convencer o cidadão de que o jogo é uma oportunidade de renda extra, enquanto as plataformas tentam passar a imagem de entretenimento inofensivo.
Para a defensora, as plataformas digitais de jogos devem seguir as mesmas restrições de publicidade impostas ao cigarro, proibida desde o ano 2000. O defensor público Marcelo Dayrell Vivas, da Anadep, comentou que o apelo das apostas aumentou a procura por serviços de saúde mental. Ele explicou que o Estado não está preparado para atender a demanda gerada desde o início da operação das bets no Brasil, em 2018.
A economista Ione Amorim, do Idec, afirmou que o hábito de apostar está capilarizado na realidade familiar, dificultando o combate à atividade nociva. Dados da CNC indicam que o gasto brasileiro com plataformas eletrônicas entre janeiro de 2023 e março de 2026 superou R$ 30 bilhões por mês. A entidade também relatou que a inadimplência causada pelas bets retirou R$ 143 bilhões do comércio varejista.

