O Ministério da Defesa não identifica risco de ação militar dos Estados Unidos no Brasil, apesar da classificação do Departamento de Estado Americano do PCC e CV como organizações terroristas. Essa visão contrasta com o Ministério das Relações Exteriores, que alertou para a possibilidade de uso da força militar americana em território nacional.
A pasta da Defesa argumenta que as organizações criminosas brasileiras não representam risco à soberania americana, o que afastaria qualquer motivo para intervenção de forças dos EUA. O ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, levará esse ponto às conversas internacionais, incluindo um encontro com o vice-ministro de Guerra dos Estados Unidos, Elbridge Colby, no Peru.
Monteiro, que também se reuniu com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, busca estabelecer um canal de diálogo permanente com as autoridades americanas. O argumento defendido é que as facções são grupos criminosos focados no tráfico de drogas, e não um movimento político, e que o governo brasileiro já atua no combate interno.
Em contraste, o Ministério das Relações Exteriores manifestou preocupação com a classificação, afirmando que ela abre margem para o uso da força militar americana. A diplomacia brasileira declarou que a medida “não trará benefícios concretos para a cooperação internacional entre EUA e Brasil no enfrentamento ao crime organizado” e pode gerar impactos no plano econômico e na soberania nacional.

