Pesquisadores da University College de Londres (UCL) descobriram que dificuldades financeiras persistentes aceleram o declínio cognitivo relacionado ao envelhecimento. O estudo, baseado em dados de décadas, aponta que o acúmulo de adversidades financeiras ao longo dos anos está associado aos piores desfechos de saúde cerebral.
A análise, publicada na revista científica Innovation in Aging, utilizou dados de 2.759 britânicos que responderam questionários ao longo da vida, desde os 26 até os 53 anos. Os cientistas classificaram os participantes como tendo renda persistentemente baixa se estivessem entre os 20% com menor renda em pelo menos duas avaliações. As dificuldades financeiras foram avaliadas por meio de questionamentos sobre a capacidade de viver com a renda e o pagamento de contas.
Os resultados indicaram que indivíduos com renda persistentemente baixa ou dificuldades financeiras na juventude apresentaram pior desempenho em testes cognitivos aos 53 anos. Em exames de imagem cerebral, observou-se que esse grupo tinha pior saúde cerebral, com maior atrofia cerebral na fase avançada da vida, entre 69 e 71 anos. Essas associações se mantiveram mesmo após considerar fatores como escolaridade e desvantagens na infância.
A equipe de pesquisa constatou que a relação foi mais forte em homens, pessoas que enfrentaram desvantagens na infância e indivíduos com a variante genética APOE-ε4. Os pesquisadores sugerem que o estresse crônico e a inflamação, causados pela preocupação financeira, podem ser os mecanismos que ligam a pobreza ao declínio cognitivo.

