O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou o bloqueio de bens de um líder do PL e de um ex-presidente da Câmara dos Deputados. As decisões, divulgadas em 10 de julho de 2026, contrariam a posição da Procuradoria Geral da República (PGR) sobre a indisponibilidade patrimonial dos investigados.
A divergência entre o ministro e a PGR focou nos pedidos de indisponibilidade. O bloqueio abrange R$ 119,2 milhões em bens do presidente nacional do PL e R$ 6 milhões do ex-presidente da Câmara. Apesar de discordar dos bloqueios, a PGR defendeu a continuidade das investigações conduzidas pela Polícia Federal e o rastreamento de recursos públicos sob suspeita.
Os casos são desdobramentos da Operação Transparência, que apura um suposto esquema de direcionamento de emendas parlamentares por pessoas sem mandato eletivo. No caso do líder partidário, o bloqueio corresponde a 21 emendas que teriam sido direcionadas irregularmente. O ministro Dino afirmou que a indisponibilidade é necessária para garantir eventual ressarcimento ao erário.
Os investigados negaram irregularidades. O presidente do PL disse que sua atuação se limita a sugerir recursos com base nas demandas da base do partido. A defesa do ex-presidente da Câmara alegou que ele não foi intimado antes da medida e que sua atuação sempre respeitou as normas legais. O presidente da Câmara, Hugo Motta, classificou a determinação como “indevida intervenção judicial”.

