O divórcio de casais com mais de 50 anos, conhecido como “divórcio grisalho”, cresce no Brasil. Dados do IBGE mostram que, em 2022, 31,12% dos divórcios nessa faixa etária envolveram mulheres, enquanto 23,27% envolveram homens. O aumento reflete mudanças sociais e culturais.
O crescimento do divórcio grisalho é atribuído a fatores como a maior longevidade da população e a alteração na visão sobre o casamento. Segundo Christiano Melo, presidente da Comissão de Direito das Famílias da OAB-GO, a sociedade mudou. Ele afirmou que as pessoas vivem mais e buscam estabilidade nessa fase da vida, diferentemente de gerações passadas.
Outros elementos influenciam o cenário, como a exposição nas redes sociais, que pode gerar expectativas irreais, e as dificuldades econômicas do país. Do ponto de vista jurídico, o procedimento é similar ao de casais mais jovens, mas a divisão patrimonial exige cautela. O advogado alerta que muitas mulheres dessa idade não participaram da administração dos bens e podem não conhecer o patrimônio familiar.
Em casos de separação tardia, o pedido de pensão alimentícia pode ser vitalício, especialmente quando a mulher não tem condições de retornar ao mercado de trabalho. Christiano Melo concluiu que o desconhecimento financeiro é o erro jurídico mais comum, recomendando que ambos os cônjuges conheçam a realidade financeira da família.

