Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, demonstra uma clara mudança de apoio político, migrando de um reduto do PT para um território com forte adesão ao bolsonarismo. A transformação, que se reflete nos resultados eleitorais, coloca o município como um símbolo da disputa entre os movimentos de Lula e Flávio Bolsonaro no estado.
O município, que historicamente favoreceu o PT, registrou 86% dos votos válidos para Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno de 2002. Contudo, essa vantagem diminuiu nas eleições subsequentes, desaparecendo em 2018. Na primeira disputa presidencial de Jair Bolsonaro, Duque de Caxias deu 66% dos votos válidos ao candidato do PL. Em 2022, Bolsonaro novamente venceu na cidade, com 53% dos votos válidos.
Especialistas citam três fatores para explicar essa virada: a origem política de Bolsonaro no Rio, o vazio deixado pelo enfraquecimento de lideranças tradicionais após a Operação Lava Jato e a aproximação do bolsonarismo com grupos políticos locais. A cientista política Mayra Goulart avaliou que o Rio sofreu com a Lava Jato, o que afetou a esquerda e abriu margem para a extrema-direita.
Um comerciante local, que votou em Lula em 2002, afirmou que hoje seguirá a orientação política de Bolsonaro, criticando a gestão do PT. Outro ex-prefeito, aliado de Lula, declarou que o enfraquecimento das lideranças políticas do Rio após a Lava Jato permitiu que o bolsonarismo capturasse esse ativo político.

