O economista Igor Lucena afirmou que a ausência de uma trajetória clara de controle da dívida pública brasileira pode elevar o patamar do dólar nos próximos anos. Ele alertou que, se a dívida continuar subindo, o piso cambial pode ultrapassar R$ 6,00, afetando a confiança dos investidores.
Lucena disse que a cotação atual do dólar, na faixa de R$ 5,20 a R$ 5,30, pode perder sua referência caso a dívida pública cresça e a confiança do mercado se deteriore. O analista explicou que a pressão cambial reflete o risco percebido pelos investidores, que podem ter maior dificuldade em receber retornos no país. Ele declarou que não apostaria em uma retomada da Bolsa chegando a 200 mil pontos sem uma resolução fiscal.
O mercado financeiro brasileiro, segundo o economista, deve enfrentar um segundo semestre de alta volatilidade. Três fatores devem pesar sobre os ativos: a eleição presidencial, a trajetória dos juros nos Estados Unidos e a situação fiscal nacional. Lucena comentou que a economia já está em desaceleração, sendo sustentada por gastos públicos, mas que esse modelo encontra limite devido ao endividamento das famílias.
O especialista alertou que o Brasil corre o risco de repetir o quadro de 2015, caracterizado por atividade fraca e deterioração fiscal. Ele afirmou que o Banco Central tem agido para evitar a perda de expectativas, mas advertiu que qualquer mudança brusca na política monetária seria negativa. Para Lucena, o ponto central para o câmbio, a Bolsa e os juros é a dinâmica da dívida pública.

