Um economista avalia que o governo atual adota uma postura de expansão fiscal, o que mantém a inflação alta e os juros em patamares elevados no Brasil. A análise, feita por Ivo Chermont, sócio da Quantitas Asset, aponta que a ausência de ajuste nas contas públicas gera risco macroeconômico.
Chermont afirma que o governo tem investido em gastos públicos sem demonstrar preocupação com as consequências macroeconômicas, como juros altos e inflação fora da meta. Segundo o economista, a administração atual segue uma estratégia de “all in” no lado fiscal, sem disposição para cortes.
Atualmente, o Brasil lida com taxa de juro real de 9,67%, sustentada pelo crescimento da dívida pública e gastos crescentes, mesmo sob o novo arcabouço fiscal. A projeção da Quantitas indica que a taxa Selic pode encerrar em 14% até o fim do ano, embora 13,75% seja um cenário provável.
O analista alerta que a complacência do mercado é permitida pelo cenário externo, mas o risco geopolítico e a trajetória dos juros nos Estados Unidos podem forçar o Banco Central a ajustes mais severos. Ele também comentou que, diferentemente de 2022, o mercado não dará mais o “benefício da dúvida” ao governo em um eventual próximo mandato.

