O retorno do El Niño deve gerar efeitos distintos na economia brasileira, segundo um relatório da XP Investimentos. O fenômeno climático apresenta riscos de perda de produtividade no agronegócio, mas pode beneficiar o setor elétrico com níveis mais altos de reservatórios hidrelétricos.
O agronegócio é o setor mais exposto aos efeitos do El Niño, com riscos concentrados em regiões como Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, onde a redução de chuvas é esperada. A soja demonstra maior resiliência nacional, enquanto o milho é considerado a cultura mais vulnerável. A XP aponta que empresas com infraestrutura resiliente ganham vantagem competitiva diante das mudanças climáticas.
No setor elétrico, as chuvas acima da média previstas para o Sul e parte do Sudeste devem elevar os níveis dos reservatórios, o que pode aliviar o preço da conta de luz no curto prazo. Já no varejo, o principal impacto será a inflação dos alimentos, que pode reduzir o poder de compra das famílias. Contudo, supermercados podem ser favorecidos pelo aumento dos preços dos produtos básicos.
O setor de transportes enfrenta risco de lentidão e aumento de custos devido à redução do nível dos rios, dificultando a navegação em hidrovias importantes. No âmbito financeiro, o Banco do Brasil é apontado como o mais exposto, devido à alta concentração de financiamentos em culturas agrícolas sensíveis ao clima.

