Empresas de inteligência artificial chinesas podem estar utilizando modelos desenvolvidos nos Estados Unidos para aprimorar suas próprias tecnologias por meio de um processo chamado destilação. A Anthropic, criadora do Claude, relatou que detectou campanhas de uso indevido, enquanto a OpenAI também acusou concorrentes chineses de replicar seus sistemas.
A técnica de destilação consiste em submeter um sistema de IA grande e custoso a um grande volume de perguntas para que as respostas geradas possam ser usadas para atualizar um modelo menor e mais acessível. Embora a destilação não seja ilegal, as empresas americanas afirmam que seu uso sem permissão viola regras e confere uma vantagem significativa às companhias chinesas.
A Anthropic informou a senadores americanos que identificou uma campanha na qual a equipe de IA Qwen, da gigante chinesa Alibaba, utilizou aproximadamente 25 mil contas falsas para gerar mais de 28,8 milhões de interações com o Claude. Em fevereiro, a empresa fez acusações semelhantes contra as firmas Deepseek, Moonshot e MiniMax.
Pesquisadores de universidades chinesas também confirmaram o uso da técnica. Um estudo realizado em fevereiro de 2025 indicou que a maioria dos modelos domésticos testados apresentava sinais de destilação, extraindo dados de modelos americanos. A Anthropic já havia banido quase 700 mil contas que usavam o Claude na China.

