Um consenso de entidades europeias alerta que o emagrecimento promovido por medicamentos injetáveis, como os agonistas de GLP-1, exige acompanhamento multidisciplinar. Especialistas afirmam que a perda de peso deve ser de qualidade, pois o foco exclusivo no peso pode gerar riscos nutricionais e psicológicos.
O documento, publicado na revista científica The Lancet Diabetes & Endocrinology, revisou a literatura até 2025 e fornece orientações para médicos, nutricionistas e psicólogos. Segundo o endocrinologista Fabio Moura, diretor da Sbem, o tratamento não pode se resumir ao uso das drogas, pois “não adianta perder peso de qualquer jeito. É importante que essa perda seja com qualidade, para garantir uma boa saúde”.
A redução do apetite induzida pelos medicamentos pode levar ao consumo insuficiente de proteínas, vitaminas e fibras. Por isso, o consenso recomenda a ingestão de no mínimo 60 gramas de proteína e 25 gramas de fibras diariamente. Além disso, é sugerido o consumo de 2 a 2,5 litros de água por dia para prevenir desidratação.
No aspecto mental, os autores dedicam um capítulo à saúde psicológica. Guilherme Giorelli, nutrólogo, explica que a alteração na relação com a comida pode provocar efeitos inesperados, como “perda de identidade, dificuldade para lidar com emoções e sensação de vazio”. Ele afirma que o objetivo do tratamento deve ser o bem-estar integral, e não apenas o peso na balança.

