Um pesquisador da Universidade de São Paulo afirmou que o Brasil deve tomar a decisão de envelhecer, tratando o fenômeno como uma transformação econômica e social, e não apenas como um tema fiscal.
Jorge Félix, pesquisador e professor de gerontologia na Universidade de São Paulo, defende que o país precisa encarar o envelhecimento populacional de forma ampla. Segundo o especialista, a discussão deve ir além da previdência, que atualmente confina o tema a lentes fiscalistas. Félix explica que o envelhecimento gera riquezas, ao mesmo tempo em que implica gastos, configurando uma economia da longevidade.
O professor enumera que a decisão de envelhecer exige ações em diversas áreas. Ele citou a necessidade de promover a saúde e a educação ao longo de toda a vida, além de promover a adaptação das cidades, a adequação das moradias e a segurança alimentar. Félix lamentou que a interdisciplinaridade do assunto ainda seja ignorada no Brasil.
Em sua obra, o especialista criticou o modelo adotado pelo então ministro da Economia durante a pandemia. Ele declarou que o objetivo maior da economia, como ciência social, é “garantir a vida, oferecer respostas às ameaças ao bem-estar social, ou seja, servir ao homem”. Félix reforçou que a sociedade precisa aceitar o processo de envelhecimento para debater os direitos da população idosa.

