Um estudo conduzido pela Universidade de São Paulo (USP) ao longo de dez anos constatou que a prática de atividade física no tempo livre em São Paulo não é igualitária. A distância entre grupos sociais cresceu, com homens brancos de alta escolaridade se exercitando mais, enquanto mulheres de minorias raciais com pouca escolaridade registram os menores níveis de atividade.
Os resultados, publicados em maio, indicam que a atividade física no lazer é moldada por fatores ambientais, estruturais e sociais, e não apenas por escolha individual. Segundo a nutricionista Andreia Alexandra Machado Miranda, autora correspondente do artigo, as desigualdades não só se mantiveram, como o intervalo entre os grupos aumentou. Esse tipo de atividade ainda é um privilégio de grupos socialmente mais favorecidos, como homens brancos e com maior escolaridade, enquanto mulheres pretas, pardas, amarelas ou indígenas com menos anos de estudo estão entre as mais vulneráveis.
Os dados comparativos mostram que, no primeiro levantamento, a prevalência de atividade física no tempo livre era de 51% entre homens brancos com maior escolaridade e 29% no grupo mais vulnerável. Na terceira etapa, esses percentuais subiram para 65% e 39%, respectivamente. O professor Alex Antonio Florindo explicou que a equipe utilizou o modelo ecológico para atividade física, que considera múltiplos determinantes, como apoio familiar e acesso ao ambiente urbano.
Apesar da inatividade física estar associada a cerca de cinco milhões de mortes anuais no planeta, a caminhada como meio de transporte mostrou adesão geral crescente, de 61,8% para 71,6% entre os momentos avaliados. Os pesquisadores sugerem que essa prática, ligada à necessidade cotidiana, pode ser incorporada à rotina para beneficiar a saúde urbana, especialmente se combinada ao uso de transporte coletivo.

