Um novo estudo realizado pela UT Health San Antonio identificou uma relação entre a duração do sono e níveis elevados da proteína tau 181 fosforilada (p-tau181), um marcador do Alzheimer detectável no sangue. A análise, baseada em 2.410 participantes do Framingham Heart Study, mostrou que dormir entre 8 horas e meia e 9 horas por noite está associado a maior concentração dessa proteína.
Os pesquisadores analisaram a relação entre o tempo de sono e a p-tau181, uma forma modificada da proteína tau característica da doença de Alzheimer. Os resultados indicaram que os níveis dessa proteína apresentaram um aumento mais acentuado quando o sono ultrapassava 10 horas. A pesquisadora Vanessa M. Young, do Instituto Glenn Biggs para Alzheimer e Doenças Neurodegenerativas da UT Health San Antonio, comentou que o estudo não estabelece causalidade, mas sugere que o tema merece monitoramento.
A investigação, que deu continuidade a trabalhos anteriores, considerou múltiplos fatores de saúde, como idade, sexo, depressão e genótipo da apolipoproteína E ε4, ao ajustar os dados. A análise revelou uma associação robusta entre a duração do sono e a p-tau181, mesmo após o ajuste para variáveis clínicas. A demência afeta 57 milhões de pessoas globalmente, sendo o Alzheimer responsável por 60% a 70% dos casos.
Os cientistas concluíram que o sono prolongado pode ser um marcador comportamental de níveis elevados de p-tau181, o que justifica validação prospectiva. Segundo Young, quem dorme de nove a dez horas ou mais por noite pode discutir esse hábito com um médico como ponto de partida para avaliar a saúde cerebral.

