O acúmulo de danos ambientais causados por descarte irregular de resíduos gera um passivo silencioso, que afeta municípios, especialmente os pequenos. Segundo Marcello José Abbud, diretor de operações da Ecodust Ambiental, esse dano persiste mesmo após o fechamento de áreas de descarte, exigindo remediação cara e lenta.
Marcello José Abbud define passivo ambiental como o conjunto de danos acumulados por práticas de gestão inadequadas ao longo do tempo. Ele explica que o erro comum é considerar o problema resolvido quando uma prefeitura encerra uma área irregular. Abbud afirma que “Fechar não é o mesmo que remediar. O passivo continua lá, embaixo do solo e na água, até que alguém pague pra tratar isso de verdade”.
Para o diretor da Ecodust Ambiental, o custo real da má gestão é subestimado nas contas públicas municipais. Municípios de pequeno e médio porte sentem esse impacto de forma mais intensa por possuírem menos recursos técnicos e orçamentários para lidar com os passivos existentes, competindo por verbas com prioridades imediatas como saúde e educação.
Além do aspecto financeiro, Abbud aponta o impacto social, que frequentemente fica fora do debate técnico. Ele comenta que “A gente fala muito em toneladas de resíduos e pouco em quem vive ao lado dessas toneladas”. Para reverter esses passivos, é necessário diagnóstico técnico e investimento, e o especialista defende que a remediação deve ser parte do planejamento de novas soluções de tratamento de resíduos.

