O governo brasileiro anunciou a aplicação de medidas de reciprocidade após os Estados Unidos imporem uma tarifa adicional de 25% sobre produtos nacionais. A decisão, classificada como um “marco lastimável”, foi repudiada pelo Palácio do Planalto, que afirmou contestar a sobretaxa e buscará apoio na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Em nota divulgada nesta terça-feira (15), o governo brasileiro declarou que não há justificativa para a adoção de medidas unilaterais contra o país. O Palácio do Planalto contestou os fundamentos da investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, afirmando que o Brasil apresentou evidências para rebater acusações de práticas comerciais desleais ao longo do último ano.
O comunicado destacou que, segundo estatísticas do próprio governo dos EUA, os norte-americanos acumularam superávit de US$ 424,5 bilhões no comércio com o Brasil nos últimos 15 anos. O governo também rejeitou críticas americanas ao Pix, descrevendo o sistema de pagamentos como “patrimônio do povo brasileiro” e referência internacional de infraestrutura pública digital.
Como resposta ao tarifaço, o Planalto informou que implementará o Plano Brasil Soberano para apoiar setores afetados e retomará a discussão no mecanismo de solução de controvérsias da OMC. Na parte final, o governo atribuiu parte da responsabilidade à atuação da família Bolsonaro, alegando “ativa colaboração” durante o processo de investigação conduzido pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).

