A Secretaria de Estado de Proteção da Ordem Urbanística (DF Legal) realizou uma operação no dia 10, nas proximidades do Setor Santa Luzia, para coibir a grilagem em uma área pública da Área de Proteção Ambiental (APA) do Planalto Central. A ação ocorreu no limite do Parque Nacional de Brasília (PNB) e resultou na remoção de 36 estruturas precárias e na descaracterização de cerca de 500 lotes ilegais.
A invasão, que começou em julho, se deu em um espaço público adjacente ao PNB, com barracos improvisados surgindo às margens da DF-097. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a ocupação é limítrofe ao parque, que é classificado como Unidade de Conservação de Proteção Integral. A Polícia Militar do DF (PMDF) participou da ação, que transcorreu sem grandes incidentes, registrando apenas um pequeno foco de incêndio, rapidamente controlado pelo Corpo de Bombeiros Militar do DF (CBMDF).
A professora de Engenharia Ambiental da Universidade Católica de Brasília (UCB), Beatriz Barcelos, explicou que o avanço das ocupações irregulares gera um efeito cascata de degradação ecológica. Ela afirmou que a ocupação sem saneamento básico contamina solo e lençóis freáticos, comprometendo bacias hidrográficas vitais para o abastecimento de água do Distrito Federal.
Além disso, Barcelos alertou sobre o risco de queimadas, tática usada para limpar o terreno. Ela declarou que, em períodos de estiagem, uma faísca de uma queima ilegal pode saltar a barreira da DF-097 e adentrar o PNB, configurando crime ambiental e ameaçando a fauna silvestre.

