Os hinos nacionais da França e da Espanha apresentam construções poéticas e conceituais distintas. Enquanto a Marselhesa, hino francês, possui estrofes com letras de cunho militar, a Marcha Real espanhola é uma canção instrumental sem letra oficial definida desde 1716.
A Marselhesa, hino nacional francês, foi criada em 1792, ano da Queda da Bastilha, como um canto de guerra para inflamar as tropas na fronteira. O músico Claude Joseph Rouget de Lisle compôs a letra e a melodia em uma única noite. A música foi oficializada como hino nacional pela Convenção Nacional em 1795, e seus versos de guerra frequentemente aparecem na mídia.
Em contraste, o hino da Espanha, a “Marcha Real”, não possui letra oficial. Essa característica está ligada à pluralidade da população espanhola, que possui regiões com identidades e idiomas próprios. Manter o hino instrumental funciona como uma salvaguarda contra divisões, garantindo a representação de todos os cidadãos.
Tentativas de adicionar letras à Marcha Real ocorreram, como durante a ditadura franquista, quando José María Pemán compôs “¡Viva España!”. Contudo, a ausência de palavras no hino espanhol representa uma lógica de pacto de convivência, diferente da projeção de soberania histórica da França.

