Um programa de inteligência artificial usado para classificar níveis de segurança em prisões de Ontário coloca presos negros em condições de segurança máxima de forma desproporcional, conforme investigação e ação judicial. A ferramenta, usada desde 2021, atribui pontuação de risco com base em histórico de prisão e disciplina.
A análise da ferramenta Security Assessment for Evaluating Risk (SAFER) revelou que, embora negros representem cerca de 5% da população de Ontário, eles compuseram quase 27% dos presos em segurança máxima entre 2022 e 2025, segundo dados analisados por um criminologista da Universidade de Toronto. Em contrapartida, pessoas brancas estavam sub-representadas na categoria em relação à sua participação populacional.
A ação judicial alega que a província tinha conhecimento de que a dependência da ferramenta em dados históricos do sistema de justiça, que refletem disparidades raciais documentadas, poderia prejudicar presos negros. A alegação aponta que Ontário implementou medidas de mitigação para presos indígenas, mas não estendeu salvaguardas similares aos negros.
Documentos internos do ministério citados na investigação reconheceram que avaliações como a SAFER poderiam contribuir para a super-representação de pessoas indígenas e racializadas em segurança máxima. Um relatório do Ombudsman de Ontário também mencionou receber reclamações sobre o impacto desproporcional da ferramenta em presos negros e indígenas, e uma revisão ministerial do programa está em andamento.

