O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,16% em junho, um valor inferior às projeções do mercado, o que derrubou as taxas de juros futuros. A notícia reforça a expectativa de que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza a taxa Selic em 0,25 ponto percentual na reunião de agosto.
A queda no índice oficial, divulgada pelo IBGE nesta sexta-feira (10/7), foi auxiliada pela descompressão dos núcleos de inflação, especialmente em alimentação e bebidas, que apresentou deflação de 0,24% em junho, contra 1,33% em maio. A desaceleração também foi vista nos preços de serviços, que caíram de 5,57% para 4,80% na média móvel trimestral dessazonalizada, segundo a XP Investimentos.
No mercado de juros, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) de janeiro de 2027 recuou para 13,9%, e o de janeiro de 2029 caiu para 13,98%. Um diretor de investimentos de uma gestora comentou que o dado positivo veio após o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de maio também ter surpreendido para baixo.
Apesar do alívio trazido pelo IPCA, especialistas apontam desafios para um ciclo de afrouxamento monetário mais amplo. Um especialista de renda fixa afirmou que o resultado sinaliza um ambiente favorável para corte em agosto, mas exige cautela para os próximos passos, citando crescimento da dívida em relação ao PIB e eleições no Brasil como incertezas.

