Um estudo elaborado pela Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) alertou a Venezuela sobre vulnerabilidades sísmicas em Caracas há 21 anos. O relatório, entregue em 2005, recomendava reforço estrutural em cerca de 180 mil edifícios e a instalação de sistemas de alerta precoce.
O documento, elaborado a pedido do governo venezuelano, avaliou os riscos sísmicos da região metropolitana de Caracas e propôs 20 projetos para mitigar danos de terremotos e deslizamentos de terra. Entre as principais recomendações, estavam o fortalecimento de pontes, a construção de barragens e o reassentamento de comunidades em áreas de risco. A implementação das medidas, segundo o estudo, custaria cerca de US$ 2,8 bilhões ao longo de 16 anos.
Após os terremotos de 24 de junho, que deixaram 3,5 mil mortos e 16 mil feridos, especialistas afirmam que as condições das construções do país agravaram os impactos. Muitos empreendimentos foram erguidos rapidamente durante programas habitacionais, com fiscalização limitada, segundo eles.
O relatório simulou cenários de tremores e concluiu que o programa de reforço estrutural reduziria significativamente os danos. Em uma simulação baseada em um tremor de magnitude 7,1, o número de edifícios gravemente danificados cairia de mais de 32 mil para 5.260, e as mortes seriam reduzidas em quase 90%.

