A Justiça do Rio de Janeiro autorizou mandados de busca e apreensão contra acionistas da Americanas, após a juíza Giovana Teixeira Brantes Calmon identificar indícios de que empresários tinham conhecimento de manipulações contábeis. A Polícia Federal estima o valor da fraude em R$ 54 bilhões.
A magistrada afirmou que os empresários contribuíram para práticas delitivas por deterem o domínio funcional do fato. Segundo a juíza, “exigir prova cabal de que os acionistas controladores davam ‘ok’ para que as fraudes ocorressem é extremamente ingênuo”. Ela declarou que é preciso enxergar a situação como ela é para responsabilizar todos envolvidos no rombo bilionário da companhia.
O Ministério Público Federal manifestou-se contra as medidas cautelares, alegando que não há indício de que os acionistas ou conselheiros tivessem ciência dos ilícitos. Contudo, a juíza acolheu o pedido e determinou o cumprimento das apreensões. A defesa dos empresários nega o conhecimento das fraudes, alegando que as manipulações visavam escapar de auditorias externas.
A decisão judicial citou a existência de uma “sala blindada” na Americanas, onde o conselho discutia assuntos críticos. A Polícia Federal também investiga executivos de bancos como Santander, Itaú e Bradesco na Operação Disclosure. A PF informou que os empresários receberam mais de R$ 700 milhões com a divisão de lucros da empresa em 2022.

