O mercado de petróleo passa por uma ‘reinicialização’ após o conflito entre Estados Unidos e Irã, que interrompeu rotas marítimas e gerou um grande choque de oferta. Segundo o JPMorgan, a normalização logística deve trazer uma nova onda de oferta, mas o consumo da China será determinante para os preços globais.
A retomada dos embarques pelo Estreito de Ormuz está ocorrendo rapidamente, com exportações voltando a níveis pré-conflito. No entanto, o JPMorgan avalia que essa oferta encontrará um mercado que, por ora, não necessita de mais petróleo. Durante o período de tensão, cerca de 11,7 milhões de barris por dia deixaram de ser ofertados globalmente, sendo a queda na demanda chinesa o maior fator de reequilíbrio.
O banco aponta que o comportamento da China é crucial. Embora o petróleo tipo Dubai esteja em patamar atrativo, o país mantém cautela. A demanda doméstica chinesa caiu cerca de 10% durante o conflito, devido à paralisação de unidades petroquímicas e ao avanço da eletrificação. O JPMorgan projeta que as importações marítimas chinesas subirão para cerca de 9 milhões de barris por dia em setembro, avançando para 10,5 milhões de barris por dia até o fim de 2026.
A projeção indica que o mercado começará a registrar superávit a partir de agosto, com o excesso de oferta podendo chegar a 1,2 milhão de barris por dia inicialmente. O risco principal, segundo o JPMorgan, é que o conflito tenha acelerado mudanças estruturais no consumo de energia chinês, tornando a economia menos dependente do petróleo.

