Pesquisadores descobriram que microplásticos foram encontrados em 92% dos animais que habitam fontes hidrotermais a mais de dois mil metros de profundidade no fundo do oceano. O estudo, publicado em junho, aponta que o poliestireno é o material mais comum e que a poluição da superfície alcança ambientes extremos.
A análise focou em caracóis e mexilhões que vivem nesses ambientes marinhos profundos. Os resultados indicaram que o modo de alimentação dos organismos influencia o acúmulo do plástico. Nos caracóis, as partículas se concentraram nos órgãos digestivos, enquanto nos mexilhões, foram detectadas em diversas partes do corpo, como os músculos.
Os níveis de contaminação variam regionalmente. Exemplares coletados no Oceano Índico apresentaram concentrações até 14,7 vezes maiores que as registradas no Pacífico Sudoeste. Cientistas explicam que isso pode estar ligado à maior quantidade de lixo plástico nas regiões próximas, transportado por correntes oceânicas.
Esta pesquisa estabelece a primeira evidência de que a poluição plástica gerada na superfície consegue viajar milhares de metros até atingir fontes hidrotermais. Os cientistas afirmam que os achados podem auxiliar no desenvolvimento de sistemas para monitorar a poluição em áreas oceânicas profundas.

