A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, celebrou nesta sexta-feira (4) em Bari o recorde de permanência no cargo desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Com 1.413 dias à frente do governo, a premier superou a segunda gestão de Silvio Berlusconi e defendeu a estabilidade política como a principal conquista de sua administração.
Durante comício no porto de Bari, Meloni afirmou que a Itália deixou de ser o “caso quente da Europa” devido ao fim da instabilidade crônica, período em que o país teve 68 governos em 80 anos. A primeira-ministra argumentou que a continuidade no poder permite ao país ditar decisões e defender interesses em conferências internacionais, em vez de se submeter a elas.
O evento serviu como largada informal para a campanha de 2027. No palco, Meloni defendeu a reforma eleitoral que institui um modelo 100% proporcional. O projeto, aprovado pela Câmara por 217 votos a 152 e em análise no Senado, prevê que a coligação com 42% dos votos receba automaticamente 70 cadeiras extras na Câmara e 35 no Senado.
A oposição classifica a medida como manobra para blindar a direita. A líder do Partido Democrático (PD), Elly Schlein, disse que o governo muda as regras por medo de perder, enquanto Giuseppe Conte, presidente do Movimento 5 Estrelas (M5S), chamou a proposta de lei vergonhosa e inconstitucional.
Analistas e acadêmicos questionam a valorização da estabilidade. Veronica De Santis, professora de Economia da Universidade Luiss, afirmou que a estabilidade é um instrumento e não um objetivo, criticando a ausência de estratégia econômica de longo prazo, já que o governo projeta crescimento de apenas 0,6% para este ano.
Segundo levantamento da agência AGI, a coalizão de centro-direita aprovou cerca de 300 leis, focadas principalmente em segurança e combate à imigração. O partido Irmãos da Itália (FdI) divulgou dados que apontam a queda do desemprego para 5,8% em julho, redução de 21 bilhões de euros (cerca de R$ 124 bilhões) em impostos para pessoas físicas e recuo de 80% na chegada de migrantes irregulares.
Enquanto milhares de apoiadores da Apúlia, Basilicata, Calábria e Campânia compareceram ao evento, centenas de manifestantes marcharam na Piazza del Ferrarese. A polícia montou esquema de segurança para isolar o porto e deteve ao menos oito pessoas durante o protesto.


