O Ministério Público Federal (MPF) recomendou que a Alcoa e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará (Semas-PA) suspendam as operações de dragagem no rio Amazonas, em Juruti (PA), em até 24 horas. A medida decorre de laudo técnico que identificou irregularidades no licenciamento e apontou risco de danos irreversíveis ao ecossistema.
Peritos do MPF, das áreas de Oceanografia, Engenharia Sanitária e Biologia, concluíram que a autorização ambiental foi concedida com base em estudos considerados simplificados, insuficientes e desatualizados. Segundo o órgão, isso permitiu a execução de uma obra de grande porte com potencial impacto sobre comunidades tradicionais, fauna aquática e a calha do rio.
A investigação do MPF também indica que a Alcoa acelerou a dragagem mesmo após ser alertada sobre possíveis irregularidades. A empresa deixou de cumprir medidas de mitigação previstas em estudos anteriores e realizou a atividade em período crítico para a reprodução de espécies, como quelônios e o início da piracema.
Em resposta, a Alcoa declarou que tomou conhecimento da recomendação e apresentará os esclarecimentos técnicos solicitados no prazo. A companhia afirmou que a dragagem de manutenção em Juruti ocorre regularmente, com base em estudos ambientais robustos e sob fiscalização do órgão competente.

