O envelhecimento populacional brasileiro, que soma 33 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, exige que empresas adaptem suas estratégias de marketing. Mudanças fisiológicas na visão, como a presbiopia e o amarelamento do cristalino, afetam a capacidade de percepção de cores e contraste do público acima de 50 anos.
O processo de envelhecimento ocular começa no cristalino, a lente natural do olho. Com o tempo, ele perde flexibilidade, o que causa a presbiopia, ou vista cansada. Além disso, a exposição à luz ultravioleta faz com que o cristalino amareleça, funcionando como um filtro que reduz a luz e diminui o contraste entre tonalidades, especialmente nas cores azuis e verdes. Segundo o oftalmologista Almir Ghiaroni, uma pessoa de 60 anos pode precisar de até três vezes mais luz para ler do que precisava aos 20 anos.
Essa perda de contraste e foco impacta diretamente a experiência do consumidor. Ambientes com meia-luz, por exemplo, podem ser percebidos como falhas de serviço quando o cardápio apresenta letra fina sobre papel de baixo contraste. Ghiaroni afirma que “o interesse que levará ao consumo está diretamente relacionado ao conforto visual, a enxergar bem”.
Para adaptar a comunicação, as recomendações são objetivas: usar fontes sem serifa, com corpo mínimo de 12 a 14 pontos em textos corridos e 24 pontos em materiais de ponto de venda. O texto deve ser escuro sobre fundo claro e uniforme, respeitando o padrão internacional de acessibilidade digital, conhecido como WCAG.

