Uma mulher de 62 anos foi resgatada de condições análogas à escravidão em um condomínio de alto padrão no Eusébio, Ceará. A operação, realizada por equipes de fiscalização, identificou que a trabalhadora permaneceu décadas vinculada à mesma família, sem autonomia financeira.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) firmou um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) com a família após a fiscalização. O acordo prevê o pagamento de R$ 50 mil em verbas rescisórias e a compra de uma casa com valor mínimo de R$ 150 mil, equipada com móveis e eletrodomésticos essenciais.
Auditores fiscais do trabalho estimam que a trabalhadora possa ter direito a cerca de R$ 1,5 milhão em indenizações, devido à falta de proteção legal durante os anos de dedicação aos cuidados da família. Uma representante da Secretaria dos Direitos Humanos do Ceará afirmou que a retirada imediata do imóvel poderia causar danos emocionais maiores.
A dona da residência, Zamara Andrade, foi exonerada de um cargo comissionado na Prefeitura de Fortaleza após a ação. O advogado da família reconheceu a ausência de carteira assinada e FGTS, mas negou a ocorrência de trabalho análogo à escravidão, alegando que a mulher realizava outras atividades, como venda de semijoias. O relatório da operação será encaminhado à Polícia Federal para apurar responsabilidade criminal.

