Mulheres nascidas nas famílias mais pobres do Brasil têm quase o dobro de probabilidade de permanecer nessa faixa de renda na vida adulta em comparação com os homens, segundo dados do Atlas da Mobilidade Social.
A análise do Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) e do Prospera Lab mostra que as desigualdades de gênero e raça mantêm mulheres e pessoas negras entre os mais pobres, limitando oportunidades de ascensão social. Entre as mulheres nascidas nos 25% mais pobres, 65,12% permanecem nessa faixa de renda na vida adulta, um índice quase duas vezes maior que os 32,95% registrados entre os homens.
A influência da cor também é notável. Entre jovens não brancos nascidos nos 25% mais pobres, 51,64% continuam na mesma faixa de renda adulta, enquanto a proporção cai para 36,32% entre os brancos com origem econômica similar. Quando gênero e cor são analisados juntos, mulheres negras nascidas na pobreza têm 69% de chance de permanecer nessa condição, contra 20,69% dos homens brancos.
Fernando Veloso, diretor de pesquisa do IMDS, afirmou que as disparidades raciais e de gênero refletem diferenças no acesso a oportunidades essenciais, como educação de qualidade, saúde e empregos com melhores remunerações. Embora mulheres apresentem maior chance de avançar na escolaridade, as diferenças de renda persistem.


