Novo Nordisk processou Eli Lilly por alegada publicidade enganosa do medicamento Zepbound nos Estados Unidos. A ação judicial ocorreu após a empresa de Novo Nordisk enviar uma notificação de cessar e desistir que não foi acatada. O mercado, contudo, já sinaliza preferência pela Lilly, cujas ações subiram enquanto as de Novo Nordisk caíram.
A reclamação de Novo Nordisk foca em comparações feitas por Eli Lilly entre Zepbound e uma versão anterior e de dose menor do Wegovy, utilizando dados de ensaios antigos. Novo Nordisk argumenta que essas comparações estão desatualizadas após a aprovação de uma dose mais alta do Wegovy pela agência reguladora. A empresa de Novo Nordisk enviou uma notificação de cessar e desistir meses antes de recorrer à justiça, mas Eli Lilly não alterou os anúncios.
Os resultados financeiros recentes reforçam a percepção do mercado. No primeiro trimestre de 2026, Eli Lilly registrou receita de US$ 19,8 bilhões, um crescimento de 55,5% ano a ano, impulsionado por Mounjaro e Zepbound. Em contraste, Novo Nordisk viu suas vendas ajustadas caírem 4% em termos constantes de câmbio, e a gestão previu quedas de 4% a 12% nas vendas ajustadas para o ano.
A disputa reflete a corrida por liderança no setor de GLP-1. Enquanto Novo Nordisk inventou a categoria, Eli Lilly avançou com um site de vendas diretas ao consumidor e lançou um comprimido oral próprio, o Foundayo. Os analistas apontam que a ação judicial não resolve um problema de percepção de mercado, que favorece a Lilly com seu crescimento mais acelerado e dados de ensaios superiores.

