Um empresário do ramo de celular, apontado como chefe de um esquema de lavagem de dinheiro para facções criminosas do Rio de Janeiro e de São Paulo, foi preso em Foz do Iguaçu, no Paraná, na manhã desta quarta-feira, durante a Operação Hawala. A polícia apura que o indivíduo utilizava a Tríplice Fronteira para contrabandear produtos que alimentavam a organização.
A investigação revelou que a lavagem de dinheiro beneficiava o Terceiro Comando Puro (TCP), o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). O esquema operava principalmente por meio de lojas de equipamentos de celulares e peças, onde valores eram inseridos para comprar itens no exterior, que eram vendidos como legais. Os delegados informaram que foram identificados depósitos fracionados e pulverização de patrimônio para dificultar a investigação financeira.
A operação resultou em dez mandados de prisão cumpridos, incluindo quatro detenções no Rio de Janeiro. Um dos presos, proprietário de loja de celulares, movimentou mais de R$ 47 milhões em um curto período, valor incompatível com sua renda declarada de R$ 880 mensais. O contador do esquema foi detido por realizar as manobras financeiras para dar aparência lícita ao ativo ilícito.
Além dos dispositivos eletrônicos apreendidos, a polícia encontrou cigarros eletrônicos e canetas emagrecedoras importados ilicitamente, abrindo um novo braço de investigação sobre o contrabando na fronteira. As autoridades também apontam indícios de ligação com organizações terroristas, citando uma transação com um sancionado da OFAC e a postagem de bandeira do Hezbollah por um dos irmãos do investigado.

