O governo do Paraguai convocou o embaixador brasileiro em Assunção para entregar uma nota oficial de repúdio às declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A medida diplomática ocorreu após Lula afirmar que o país vizinho invadiu o Brasil, Uruguai e Argentina, citando um conflito de cinco anos.
O chanceler paraguaio, Rubén Ramírez Lezcano, comunicou o anúncio, declarando que a dignidade do Paraguai não é negociável. Apesar do mal-estar gerado pelas falas, Ramírez Lezcano afirmou que o Brasil permanece como um aliado estratégico, e que os presidentes Santiago Peña e Lula conversaram por telefone sobre o tema.
A crise diplomática teve início em 24 de julho, quando Lula fez o pronunciamento em Jacareí, São Paulo. Na ocasião, o presidente brasileiro mencionou que o Paraguai teria invadido o Brasil, Corumbá, Uruguai e Argentina. A fala ocorreu durante um evento focado na defesa e preparo das Forças Armadas.
A Câmara dos Deputados do Paraguai havia emitido uma declaração oficial na quarta-feira, dia 29, repudiando o discurso. O documento afirmou que Lula desconhece a complexidade dos antecedentes do conflito e que a declaração “distorce e minimiza” a dimensão histórica da guerra, que causou grave crise demográfica e devastou a infraestrutura do país.

