Uma pesquisadora questionou o plano de segurança pública apresentado pelo senador para a campanha presidencial de 2026. Ela afirmou que a estratégia, baseada em mais prisões e penas mais duras, não demonstrou eficácia na redução da criminalidade organizada no país.
O programa de segurança, denominado “Brasil Sem Medo”, propõe a construção de novos presídios, a redução da maioridade penal e o endurecimento das penas para crimes hediondos. Carolina Grillo, do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos (GENI-UFF), avalia que essas soluções são insuficientes, segundo a experiência brasileira.
Grillo declarou que o aumento da população carcerária, que saltou de cerca de noventa mil no início dos anos 1990 para mais de novecentos mil hoje, não resultou em maior segurança. A especialista explicou que a percepção de que penas mais severas dissuadem o crime não corresponde ao que a criminologia aponta, pois o criminoso não age com cálculo racional.
Além disso, a pesquisadora alertou que o sistema penitenciário ampliado fortalece facções criminosas, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, que surgiram dentro das prisões. Ela afirmou que o encarceramento em massa é criminogênico, reunindo jovens vulneráveis com membros dessas organizações.
Para combater o crime organizado, Grillo defende um foco em inteligência. Ela disse ser necessário um trabalho que identifique os elos estratégicos das organizações e ataque seus fluxos econômicos, em vez de apenas aumentar a repressão policial.

