A alta do petróleo, que atingiu US$ 88 por barril, pressionou os mercados financeiros brasileiros nesta sexta-feira (17) e interrompeu o movimento de alívio na curva de juros. O aumento da aversão ao risco decorre da continuidade do conflito entre Estados Unidos e Irã, com o bloqueio no Estreito de Ormuz reacendendo temores inflacionários globais.
Os contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) registraram forte alta. O DI para janeiro de 2027 subiu de 13,872% para 13,96% ao fim do pregão. A curva de juros ganhou inclinação na semana, com os vértices de 2029 e 2031 registrando alta próxima de 35 pontos-base, refletindo preocupações externas e o quadro fiscal brasileiro.
Marcelo Fonseca, economista-chefe da CVPAR, explicou que o mercado vinha reduzindo prêmios de risco, mas o conflito no Oriente Médio alterou essa dinâmica. Ele afirmou que “a puxada do petróleo tem causado reversão daquela dinâmica. Muito provavelmente essa guerra vai se arrastar, alternando momentos de escalada e alguns com alívio”.
Kimberley Sperrfechter, economista sênior da Capital Economics, comentou que uma nova alta sustentada da commodity pode reacender a pressão inflacionária. Ela destacou que esse cenário ameaça a expectativa de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião de agosto do Comitê de Política Monetária (Copom). Fonseca avaliou que as revisões de inflação podem ter ocorrido cedo demais, citando que “Temos uma dinâmica estrutural ainda ruim”.
Apesar da volatilidade, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) avançou 0,1% entre abril e maio, superando a expectativa de queda de 0,2% do mercado. Henrique Danyi, economista, disse que a economia desacelera, mas se mantém sustentada pela resiliência do mercado de trabalho.

