A Polícia Federal aponta que a troca de mensagens entre o ex-deputado Eduardo Cunha e uma servidora da Câmara dos Deputados demonstra como o processo de indicação de emendas parlamentares foi forjado. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, determinou o bloqueio de R$ 6 milhões do ex-deputado por suspeita de desvio de verbas.
Segundo a PF, os diálogos revelam que o ex-presidente da Câmara trabalhou para fortalecer sua atuação em Minas Gerais, direcionando a aplicação de verbas públicas. Em uma conversa, o ex-deputado demonstrou “pouco apreço” pelo estado, pedindo a troca de municípios para facilitar o processo.
A investigação também aponta preocupações com a titularidade de emendas. Em uma mensagem, Cunha questionou a necessidade de um ofício para comprovar que uma emenda era de autoria de seu grupo político, e não de outro parlamentar. A PF considerou a mensagem “estranha”, visto que o ex-deputado não possui mandato ativo.
A ingerência sobre a destinação de recursos também foi evidenciada por pedidos de alteração de destinatários. O ex-deputado solicitou a troca de um município por outro para resolver confusões. A PF concluiu que as emendas foram “destinadas de maneira forjada, a fim de escamotear o real interessado nas indicações”.

