A Polícia Federal suspeita que R$ 468 mil em dinheiro vivo, encontrados no guarda-roupa de um deputado federal, façam parte de R$ 15,5 milhões movimentados por dois irmãos advogados de Goiás. A Operação Galho Fraco II, autorizada pelo ministro Flávio Dino do Supremo Tribunal Federal, investiga o possível esquema de lavagem de dinheiro.
A operação, deflagrada nesta quarta-feira, 1º de julho, autorizou buscas e apreensões em Goiás, Distrito Federal e Minas Gerais, além da quebra de sigilos bancário e fiscal dos investigados. A PF apura indícios de um esquema que envolve agentes públicos, empresários e empresas usadas para dar aparência de legalidade à movimentação de recursos públicos, como parte da Operação Rent a Car.
A suspeita surgiu após a apreensão dos R$ 468,7 mil em dezembro do ano passado. Na época, o parlamentar afirmou à PF que o valor era proveniente da venda de um imóvel em Ituiutaba, Minas Gerais. Contudo, a investigação identificou que os pacotes continham etiquetas bancárias de empresas controladas pelos irmãos advogados, Ejus Empreendimentos e Foco Engenharia.
O grupo empresarial dos advogados realizou 81 saques em espécie, totalizando R$ 15.542.386. Segundo a PF, as retiradas, feitas diretamente pelos irmãos, demonstram o protagonismo deles na movimentação dos recursos. Um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras também registrou movimentações suspeitas.
O ministro Flávio Dino afirmou que há “fundadas razões” para aprofundar as investigações, pois há indícios de que as empresas movimentaram valores incompatíveis com sua estrutura. A hipótese ganha relevância porque parte desses valores pode ter origem em peculato supostamente praticado por um deputado federal.

