O Plano Safra 2026/2027, lançado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), inclui financiamento para sistemas de armazenamento de energia por baterias, ampliando incentivos à transição energética no campo. Contudo, a Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que o alto custo do crédito limita a efetividade do plano, apesar do volume total de recursos atingir R$ 525,1 bilhões.
As novas linhas, incorporadas aos programas Inovagro e Prodecoop, permitem o financiamento de baterias para armazenar energia de fontes renováveis. A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) informou que os juros dessas linhas variam entre 8% e 12,5% ao ano, uma redução em relação ao ciclo anterior, que apresentava taxas entre 8,5% e 14,5%. A entidade, porém, declarou que os custos do crédito permanecem altos devido à taxa Selic.
O levantamento da FGV mostrou que, embora o volume total de recursos tenha crescido nominalmente, o reajuste pela inflação (IGP-DI de 2,5%) resultou em uma retração real de 0,8%. Houve uma mudança na distribuição dos fundos: os investimentos subiram de R$ 101,5 bilhões para R$ 140,2 bilhões, enquanto custeio e comercialização caíram de R$ 414,7 bilhões para R$ 384,9 bilhões.
Apesar do incentivo à modernização, programas específicos sofreram cortes. O Moderfrota, focado em máquinas agrícolas, teve redução de 61%, e o Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) registrou corte de 24,4%. A FGV avalia que os juros elevados tornam a contratação de crédito desfavorável, podendo elevar o custo de produção em cerca de 4% por saca na produção de soja, como exemplo.

