A Polícia Civil investiga possível conexão entre um esquema de lavagem de dinheiro que atingiu facções criminosas no Rio de Janeiro e em São Paulo e a organização terrorista Al-Qaeda. A investigação detectou uma transação financeira entre o empresário libanês Reda Zayoun, preso em Foz do Iguaçu, e um indivíduo egípcio sancionado pelos Estados Unidos.
O esquema, que operava principalmente por meio de lojas de equipamentos de celulares, beneficiava facções como o Terceiro Comando Puro (TCP), o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo o delegado Pedro Brasil, a lavagem envolvia a compra de peças no exterior, declaradas como lucro de vendas, além de depósitos fracionados para burlar a Receita Federal.
A Polícia Civil identificou uma transação financeira entre um sancionado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos (OFAC) por financiar a Al-Qaeda e um dos investigados. O indivíduo egípcio, Haytham Ahmad Shukri Ahmad Al-Maghrabi, de 40 anos, foi formalmente classificado pelos EUA como membro do grupo terrorista. O delegado afirmou que os indícios apontam para uma ligação, mas que o vínculo ainda não foi comprovado.
Reda Zayoun, empresário do ramo de celular, foi preso em Foz do Iguaçu. A Tríplice Fronteira, região monitorada por grupos terroristas, foi utilizada pelo grupo para o contrabando de produtos. A operação resultou em dez mandados de prisão cumpridos, incluindo detenções no Rio de Janeiro, onde foi detectada movimentação financeira superior a R$ 47 milhões em uma loja de celular.

