Portfólios de aposentadoria focados exclusivamente na preservação de capital podem apresentar declínio na renda, mesmo com o principal estável. A queda na distribuição do ETF de títulos do Tesouro de curto prazo, como o SGOV, ilustra o desafio de manter o poder de compra em cenários de inflação.
A estabilidade do valor principal não equivale à preservação da renda. Um investidor que montou um portfólio inteiramente em títulos do Tesouro de curto prazo no ano passado coleta hoje uma renda significativamente menor do que em 2024. A distribuição mensal do ETF SGOV caiu de US$ 0,4435 em setembro de 2024 para US$ 0,2995 em junho de 2026, representando uma redução de cerca de 32,5%, enquanto o preço da cota permaneceu praticamente inalterado.
Para atingir uma renda anual pré-imposto de US$ 60.000, o custo varia conforme o tipo de ativo. Um portfólio ancorado em caixa, utilizando títulos do Tesouro de 4 semanas com rendimento de 3,69%, exigiria cerca de US$ 1.626.000. Em contraste, um portfólio com crescimento moderado de dividendos, como o da Southern Company, que apresentou crescimento de dividendo de 5,6% entre 2024 e 2026, exigiria capital de aproximadamente US$ 1.935.000.
A inflação, medida pelo PCE core, atingiu 130,082 em maio de 2026, um aumento de 3,4% em relação ao ano anterior. Isso demonstra que a renda gerada por títulos de curto prazo não garante a manutenção do poder de compra. Investidores devem considerar que um portfólio com rendimento inicial menor, mas com capacidade de crescimento, pode superar em renda um portfólio de alta estabilidade, mas sem crescimento.

