A durabilidade de condomínios e loteamentos é determinada pela preparação do terreno, etapa que ocorre antes da construção e define a infraestrutura subterrânea. Segundo Fauze Youssef Skaff, presidente da Skaff Construtora, a terraplanagem é a obra que não pode ser refeita após a edificação.
A região administrativa de Campinas concentrou 2.765 lotes lançados no primeiro trimestre de 2026, representando 38% dos lançamentos em 81 municípios paulistas. No estado, o período registrou 7.297 lotes em 27 empreendimentos, embora o mercado tenha apresentado retração de 19% na comparação anual. A demanda por imóveis continua alta, com 49% dos brasileiros manifestando intenção de compra, o que impulsiona o padrão de loteamentos fechados e condomínios de médio porte.
O especialista Fauze Youssef Skaff explica que a vida útil de um empreendimento é definida na fase de terraplanagem, quando cortes, aterros e nivelamento definem o comportamento do solo e a operação da infraestrutura. Ele aponta que o país enfrenta problemas de saneamento, visto que apenas 40,44% dos municípios possuem sistemas exclusivos de drenagem pluvial, segundo o Diagnóstico Temático do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico.
Quando a preparação do terreno é tratada como formalidade, os problemas se manifestam anos depois, gerando custos elevados. Um estudo da Universidade de Brasília indica que o retrabalho em obras pode elevar os custos totais em até 42%. Skaff afirma que “a terraplanagem não é a etapa que antecede a obra. Ela é a obra que ninguém vê, e é a única que não dá para refazer depois que o condomínio está de pé”.

