Mais da metade do valor que poderia ser arrecadado pela Previdência Social é perdido por meio de benefícios tributários, sonegação, inadimplência e litígios, segundo estudo de auditores da Receita Federal. A cada R$ 100 potenciais, apenas R$ 44 são recolhidos ao governo.
O trabalho, intitulado “Quem Financia a Previdência Social? Evidências Setoriais e Distributivas das Lacunas Tributárias no Brasil”, foi elaborado por auditores da Receita Federal. Os autores afirmam que a fragilidade do financiamento não deve ser atribuída apenas à evasão fiscal, mas também a “escolhas institucionais incorporadas ao próprio desenho legal do sistema”.
As perdas são detalhadas: imunidades constitucionais e regimes especiais, como o MEI, correspondem a R$ 28 não arrecadados. A sonegação responde por R$ 22, enquanto contestações de cobrança somam R$ 6. O déficit da Previdência Social ultrapassou a marca de R$ 320 bilhões em 2025, o que equivale a 2,6% do PIB.
Os especialistas apontam que a previdência depende do trabalho formal assalariado, mas essa base é corroída pela informalidade e pela pejotização. O MEI, embora formalize pequenos empreendedores, também é usado por profissionais que buscam reduzir a carga tributária, em resposta aos incentivos legais.

