Dispositivos incluídos em um projeto de lei em tramitação no Senado podem adicionar até R$ 1,5 trilhão à conta de luz entre 2027 e 2057. O cálculo, feito pela Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia e de Consumidores Livres (Abrace), aponta que as obrigações de contratação de usinas termelétricas a gás e pequenas hidrelétricas elevarão os custos da indústria nacional.
A estimativa da Abrace considera a contratação compulsória de fontes de energia, sendo a maior parcela do custo ligada a termelétricas na Região Norte, abastecidas com gás natural de origem amazônica. O impacto acumulado dessas contratações pode atingir R$ 902,5 bilhões em 30 anos. Além disso, a contratação de 2,5 gigawatts de térmicas a gás, com inflexibilidade mínima de 70%, somaria R$ 301 bilhões, enquanto 4,9 gigawatts de hidrelétricas adicionariam R$ 255 bilhões.
Especialistas alertam que o aumento de custos pode atingir a indústria antes da operação das novas usinas, por meio de encargos setoriais ou repasse direto. Setores eletrointensivos, como siderurgia, alumínio e cimento, seriam os mais afetados. Segundo um especialista em investimentos, uma alta de 17,5% no custo da energia pode elevar em cerca de 1,7% os custos industriais totais.
Nove associações do setor elétrico enviaram carta ao presidente do Senado, solicitando a retirada dos dispositivos. As entidades argumentam que o projeto substitui o planejamento técnico do setor pela contratação de volumes definidos em lei, e que a contratação compulsória pode ser desnecessária e não possui respaldo técnico.

