Quase metade dos casos de demência pode ser evitada pelo combate a fatores de risco modificáveis, como inatividade física e tabagismo. Uma revisão internacional, contudo, indica que as campanhas de saúde pública atuais geram poucas mudanças comportamentais duradouras.
A pesquisa, conduzida pela Universidade Curtin, analisou programas de saúde em oito países e constatou que, embora a conscientização seja ampla, ela raramente leva a alterações significativas no comportamento. O autor do estudo, Mario Siervo, afirmou que “simplesmente informar as pessoas sobre esses riscos não é suficiente; campanhas de conscientização são importantes, mas, por si só, raramente levam a mudanças de comportamento significativas ou duradouras”.
Um estudo complementar da mesma equipe, que acompanhou quase 500 mil adultos por mais de uma década, ligou maior risco de demência à baixa força muscular e ao excesso de gordura corporal, condição chamada obesidade sarcopênica. Blossom Stephan, catedrática em Demência no Instituto enAble da Curtin, comentou que barreiras como tempo e custo impedem mudanças mesmo quando os riscos são conhecidos.
Para promover mudanças sustentáveis, os pesquisadores sugerem abordagens mais envolventes. Entre elas, estão programas de educação online, avaliações de risco individualizadas e iniciativas comunitárias conduzidas por líderes locais de confiança. Siervo disse que essas redes comunitárias aumentam a probabilidade de as pessoas realizarem mudanças significativas.

