Operações policiais e do Ministério Público identificaram uma rede de prestadores de serviços ilícitos que cria conexões entre diferentes grupos criminosos no Brasil. Essa convergência criminal utiliza a lavagem de dinheiro como elo principal, ligando facções a esquemas de corrupção política.
Os núcleos de prestação de serviços atuam em diversos segmentos do mercado ilegal, incluindo serviços contábeis, transporte de produtos e venda de empresas de prateleira. Um exemplo recente envolveu contadores que foram alvos de uma operação do Gaeco do Ministério Público de São Paulo contra um esquema de movimentação de recursos em favor do PCC.
Especialistas afirmam que a mobilização dessas redes não se restringe a um tipo de produto. Segundo um professor da USP, “Para qualquer outro produto que tenha demanda, essas redes vão se mobilizar”. Além disso, investigações apontam que empresários ligados ao tráfico também realizam transações com empresas envolvidas em fraudes de órgãos como o INSS e bancos.
Pesquisadores indicam que dois fatores impulsionam esse fenômeno: o avanço da tecnologia, que facilita a comunicação entre criminosos, e a tendência de organizações investirem na expansão de negócios, compartilhando soluções logísticas e financeiras. Um estudo da Europol, por exemplo, aponta que grupos criminosos terceirizam atividades que não dominam, o que reduz barreiras para redes não especializadas.

