Mais pessoas se informam por redes sociais do que pela imprensa, segundo o Digital News Report 2026. O estudo, realizado em 48 países, revela que, embora o acesso seja maior, há um risco de manipulação sutil e perda de autonomia informacional.
O uso das plataformas digitais, que cresceu nas últimas duas décadas, substituiu o modelo tradicional de jornalismo, onde a notícia passa por repórteres e editores com critérios transparentes. Nas redes sociais, influenciadores e sistemas de recomendação filtram e priorizam o conteúdo, buscando engajamento em detrimento da veracidade.
O relatório indica que 54% dos entrevistados em 48 países utilizam essas plataformas para se informar, contra 51% que usam a imprensa. Essa mudança, chamada de “plataformização” da notícia, não significa que as plataformas ditam o pensamento, mas que indicam sutilmente sobre o que pensar, influenciando o debate público antes da formação de opiniões.
A distribuição de conteúdo migrou para as plataformas, que priorizam o que gera atenção, fazendo com que reportagens investigativas percam espaço para conteúdos mais emotivos. Além disso, a notícia é apresentada fragmentada, sem o contexto que o jornalismo tradicional oferece, empobrecendo a discussão social.
A confiança no noticiário caiu para 37% no geral, e 36% no Brasil. Apesar do maior uso das redes, apenas 22% confiam nas notícias consumidas por elas, evidenciando a contradição entre facilidade de acesso e a qualidade da informação recebida.

